
Desenvolvida pela organização carioca Arte de Educar, a Mandala de Saberes é uma tecnologia social certificada que propõe uma revolução na forma como conhecemos, aprendemos e trabalhamos. Inspirada no formato circular das mandalas, essa metodologia rompe com a fragmentação do saber, integrando conhecimentos acadêmicos, tradicionais, artísticos e comunitários em uma visão holística.
No contexto do Rio de Janeiro — cidade de contrastes, riqueza cultural e desafios sociais complexos — a Mandala de Saberes oferece uma ferramenta poderosa para diversas profissões que atuam na transformação social, educação, saúde, cultura e desenvolvimento urbano.
Por que a Mandala de Saberes é relevante para o Rio?
O Rio de Janeiro apresenta:
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Diversidade cultural imensa (de comunidades tradicionais a centros urbanos globais)
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Desigualdades sociais marcantes
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Saberes populares ricos (do jongo ao conhecimento das plantas medicinais)
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Desafios de violência e exclusão
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Potencial criativo extraordinário
A Mandala oferece uma metodologia de diálogo que respeita essas complexidades, criando pontes entre diferentes realidades cariocas.
Aplicações por Área Profissional
1. Para Educadores e Professores
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Integração curricular: Conectar o conteúdo escolar com a realidade das comunidades (ex: usar a matemática da arquitetura das favelas; a química da culinária local).
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Projetos interdisciplinares: Desenvolver temas como “Água no Rio” envolvendo geografia, história, artes e ciências.
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Formação continuada: Resignificar a prática docente a partir dos saberes das próprias comunidades onde atuam.
2. Para Assistentes Sociais e Psicólogos
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Acolhimento integral: Compreender a pessoa em suas múltiplas dimensões (cultural, espiritual, familiar, comunitária).
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Intervenções comunitárias: Criar círculos de conversa que valorizem a sabedoria coletiva para resolver problemas.
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Saúde mental contextualizada: Incorporar práticas culturais locais (como rodas de samba, capoeira) como ferramentas terapêuticas.
3. Para Urbanistas, Arquitetos e Engenheiros
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Planejamento participativo: Incluir os saberes dos moradores sobre o território em projetos de urbanização.
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Tecnologias sociais aplicadas: Desenvolver soluções de infraestrutura que dialoguem com práticas comunitárias existentes.
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Sustentabilidade local: Integrar conhecimentos tradicionais sobre uso de recursos naturais em projetos de habitação.
4. Para Profissionais de Saúde
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Medicina integrativa: Valorizar práticas de cura tradicionais junto à medicina científica.
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Educação em saúde contextualizada: Criar materiais e abordagens que falem a linguagem cultural das comunidades.
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Atenção básica humanizada: Formar equipes com olhar ampliado sobre os determinantes sociais da saúde.
5. Para Artistas, Produtores Culturais e Comunicadores
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Processos criativos colaborativos: Desenvolver obras que nascem do diálogo entre diferentes expressões culturais cariocas.
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Narrativas contra-hegemônicas: Dar voz a histórias e saberes marginalizados pela mídia tradicional.
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Economia criativa inclusiva: Criar circuitos culturais que valorizem os fazedores de cultura das periferias.
6. Para Gestores Públicos e Lideranças Comunitárias
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Políticas públicas dialógicas: Construir programas que nascem da escuta genuína dos saberes locais.
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Governança participativa: Implementar conselhos e fóruns com metodologias circulares de decisão.
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Gestão de conflitos: Usar a mandala como ferramenta de mediação em disputas territoriais ou sociais.
Como Implementar no Seu Contexto Profissional
Passo 1: Mapeamento de Saberes
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Identifique todos os tipos de conhecimento presentes em seu campo de atuação
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Inclua saberes formais e informais, técnicos e populares.
Passo 2: Criação do Círculo de Diálogo
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Organize encontros com participação diversificada
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Estabeleça que todos os saberes têm igual valor.
Passo 3: Integração Prática
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Desenvolva projetos ou intervenções que combinem diferentes conhecimentos
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Documente o processo e os resultados.
Passo 4: Avaliação Circular
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Avalie os impactos considerando múltiplas dimensões (quantitativas e qualitativas)
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Inclua a perspectiva de todos os envolvidos.
Casos Inspiradores no Rio
Exemplo 1: Projeto em Manguinhos
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Profissionais envolvidos: Educadores, agentes de saúde, lideranças comunitárias
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Aplicação: Criação de uma horta comunitária que integrou:
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Saberes agrícolas de migrantes nordestinos
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Conhecimento nutricional de profissionais de saúde
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Arte urbana de jovens grafiteiros
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Matemática aplicada de estudantes de engenharia.
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Exemplo 2: Rede de Pontos de Cultura da Zona Oeste
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Profissionais: Artistas, antropólogos, professores
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Aplicação: Mapeamento cultural que valorizou tanto os mestres de tradição oral quanto os produtores culturais digitais, criando programações híbridas.
Desafios e Potencialidades
Desafios
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Romper com hierarquias estabelecidas de saber
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Encontrar linguagens comuns entre diferentes campos
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Garantir sustentabilidade dos processos.
Potencialidades
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Soluções mais criativas e contextualizadas
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Fortalecimento do tecido social carioca
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Profissionais mais realizados e conectados com seu propósito
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Inovação social genuinamente carioca.
Recursos para Começar
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Formação: A Arte de Educar oferece oficinas de imersão na metodologia
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Material de apoio: Guias e publicações disponíveis no site da organização
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Rede de praticantes: Grupos de troca entre profissionais que aplicam a mandala
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Consultoria: Apoio para adaptação da metodologia a diferentes contextos profissionais.
Conclusão: Reinventando as Profissões no Rio
A Mandala de Saberes oferece mais que uma metodologia — oferece uma nova postura profissional para enfrentar os desafios cariocas. Ela convida cada profissional a:
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Sair da bolha do seu conhecimento especializado
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Ouvir verdadeiramente os saberes das comunidades
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Criar em conjunto soluções inovadoras
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Reconhecer-se como aprendiz constante
No Rio de Janeiro, onde a criatividade pulsa em cada esquina, mas as desigualdades desafiam diariamente, a Mandala de Saberes pode ser a ferramenta que falta para construir pontes onde hoje há muros — entre morro e asfalto, entre universidade e comunidade, entre técnica e tradição.
A pergunta que fica é: Como a sua profissão pode contribuir — e se transformar — neste diálogo de saberes carioca?






