Entre escolas e comunidades circulam, pelo menos, dois grandes grupos de saberes. De um lado, os saberes avalizados pela sociedade através da produção acadêmica, de teses, publicação de livros etc. Conhecimentos que se estruturam através do desenvolvimento de idéias, que são sucessivamente reprocessadas. Estes conhecimentos são desenvolvidos em áreas específicas, distintas entre si (embora este aspecto já seja questionado dentro do próprio pensamento acadêmico).

Em relação direta com a vida encontramos os saberes que têm origem no fazer, que têm a experiência como grande fonte. É também importante dizer que eles não estão organizados por áreas e, quase nunca, suas fontes estão em livros. Ambos os saberes possuem limitações e possibilidades semelhantes.

É importante ainda lembrar que fomos habituados a opor o saber e o fazer. A teoria e a prática – esta divisão está muito arraigada em nossa cultura e,portanto, as escolas e comunidades também têm, interiorizados, esses valores.

O pensamento científico não precisa estar em oposição ao saber local, é preciso recuperar o encantamento e a confiança e para isto relacioná-lo aos desafios cotidianos. À medida que há um avanço no diálogo se formulará um pensamento síntese, capaz de fazer desaparecer a distinção hierárquica entre o conhecimento científico e o cotidiano, impulsionando os educadores para uma prática reflexiva ou para uma filosofia da prática.

Considerando-se que o saber é produzido socialmente pelo conjunto das pessoas nas relações por elas estabelecidas em suas atividades práticas, isto é, no seu trabalho, deve-se levar em conta que o indivíduo aprende, compreende e transforma as circunstâncias ao mesmo tempo em que é por elas transformado.

Todos os educadores, principalmente depois de Paulo Freire, reconhecem que para caminham na direção de uma educação de qualidade é preciso que ambos os saberes encontrem espaços de interseção, mas nossos resultados ainda são muito tímidos. Este trabalho pretende colaborar nesta direção.