O modelo desenvolvido, a partir de um ponto de vista intercultural, buscou registrar as passagens de saberes mais ou menos auto contidos para processos de interação, confrontação e negociação entre os sistemas. A circulação de saberes e bens culturais não são simples operações pedagógicas ou políticas, elas instauram outras formas de compreender a cultura e aprendizagem.

O esforço é para que o currículo escolar não seja somente um instrumento referendado pela sociedade, mas para que possua significado também pela comunidade na qual a escola situa-se. Muitos dos problemas atualmente os estudantes de escolas públicas possuem estão situados na distância entre suas experiências de vida e os conteúdos que são desenvolvidos nas escolas. Como desenvolver diálogos de saberes?

O desafio foi rever as áreas de saberes escolares, buscando relações capazes de ampliar seus limites e contornos a partir das experiências comunitárias. A “Mandala” apresenta um sistema de saberes que se justapõem se sucedem, se sobrepõem, se entrecruzam sem que se transformem em um esquema linear. Todos os agentes envolvidos neste processo (pais e responsáveis, os alunos de todas as faixas etárias, professores das escolas, coordenadores, diretores de escolas e todos os membros das comunidades) são agentes portadores de experiências distintas que precisam estar articuladas em um projeto comum, e através das Mandalas constroem espaços de diálogos visíveis.

Na Mandala de Saberes a instituição não pretende reproduzir políticas de assimilação, mas assegurar as autonomias culturais dos envolvidos. Para isso é preciso reconhecer que identidade não é um assunto ontológico, mas político: os sujeitos estão situados “no meio de” espaços de diferenças como raça, classe e gênero, e sem dúvida estes espaços possuem comunicação é preciso persegui-las. Este é o trabalho do educador interessado em promover mudanças sociais através do diálogo entre cultura e educação.